Tentativa de aspirar ao grande labirinto | Attempt to aspire to the great maze

22'1''; 2013

O uso da nomenclatura “tentativa” na obra de Guilherme Peters parte sempre de uma previsão de fracasso, seja histórico, estético ou político. Sem ressalvas, o artista usa nessas experiências o corpo como ferramenta para experimentar doutrinas, ideias e conceitos, incluindo o ser humano dentro de determinada perspectiva. Essa estratégia foi iniciada por Peters em performances e fotografias antes de ser aplicada ao vídeo.

Tentativas se relacionam com a ideia de tentação, ou de desejo veemente, de impulso. Partem de vontades de possuir ou alcançar determinada situação ou objeto. Para Peters, esses impulsos estão ligados a concepções superlativas de ideais.

Em Tentativa de aspirar ao grande labirinto, Guilherme Peters escrutina um dos Metaesquemas de Hélio Oiticica por meio de uma animação criada com ferramentas de desenvolvimento de desenho técnico para projetos de arquitetura em 3D. Na obra, Peters se apropria ainda do texto Brasil Diarreia, escrito por Oiticica em 1970, e incluso no seu livro Aspiro ao grande labirinto (1986). O texto aponta para a diluição dos elementos construtivos brasileiros em prol de uma “deglutição” de tudo aquilo que seria interno ou externo à cultura nacional.

No trabalho de Peters, uma reprodução de um Metaesquema é aos poucos transmutada em espaço, fazendo suas formas erguerem- -se como construções e fazendo seus espaços brancos tornarem-se vias de circulação. A “câmera” trafega por essas vias, como em um passeio virtual por uma cidade geométrica. Para Oiticica, essas pinturas geométricas apresentavam o conflito entre o espaço pictórico e o espaço extrapictórico, preparando a superação do quadro que viria a seguir em sua obra. O Texto de Hélio Oiticica crítica um processo de diluição do “caráter” brasileiro e clama por uma posição crítica.

No áudio, Peters tenta ler o texto de Oiticica, mas sua dislexia impede o andamento fluido e compreensivo da obra. Sua blesidade nos atrai e repele conforme acompanhamos o texto, em um misto de torcida para que o narrador chegue na próxima parte do texto ou para que pare, cessando a irritante repetição de erros.

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The use of the “attempt” nomenclature in the work of Guilherme Peters always starts from a prediction of failure, be it historical, aesthetical or political. Without exceptions, the artist uses in these experiences the body as a tool to experience doctrines, ideas and concepts, including the human being within a certain perspective. This strategy was inaugurated by Peters in actions and photographs before being applied to the video.​

Attempts relate to the idea of temptation, or vehement desire, of impulse. They begin from the desire to possess or reach a certain situation or object. For Peters, these impulses are linked to superlative conceptions of ideals.​

In “Attempt to aspire to the great maze”, Guilherme Peters scrutinizes one of Hélio Oiticica’s Metaesquemas through an animation created with technical drawing tools for 3D architecture projects. In the work, Peters also appropriates the text “Brasil Diarréia”, written by Oiticica in 1970, and presented in his book “Aspiro ao grande labirinto” (1986). The text points to the dilution of the Brazilian constructive elements in favor of a “deglutition” of everything that would be internal or external to the national culture.​

In Peters’ work, a reproduction of a Metaesquema is gradually transmuted into space, making its forms rise as buildings and making its white spaces become circulation spaces. The “camera” travels through these paths, as in a virtual tour of a geometric city. For Oiticica, these geometric paintings presented the conflict between the pictorial space and the extra-pictorial space, preparing the overcoming of the framework that would follow in his work. The text by Hélio Oiticica criticizes a process of dilution of the Brazilian “character” and cries out for a critical position.​

In the audio, Peters tries to read the text of Oiticica, but his dyslexia prevent the fluidity and comprehension of the text. His blandness draws us in and repels us as we accompany the text, in a mix of feelings for the narrator to reach the next part of the text or for him to stop, ceasing the annoying repetition of errors.