Attempt to capture narcissistic ghosts | Tentativa de capturar fantasmas narcisistas
2024-2026
photo and video serie / série de fotos e vídeos


“Attempt to Capture Narcissistic Ghosts” is an ongoing multimedia project exploring the relationship between identity, technology, and the body through photography and video. The series presents structures made with “shibari” techniques in which tied bodies are digitally erased, leaving only ropes tracing their contours. The figures hold cell phones or incorporate them into the rope system, posed as if taking selfies. These works depict bodies defined by restriction and absence: immobilized, stripped of identity, and reduced to empty structures suggesting a frustrated self-portrait by an invisible subject. The result is a set of spectral portraits forced into continuous confrontation with their own emptiness.
The advent of social media about two decades ago ushered in substantial cultural and societal changes, and, as it becomes clearer, arguably had an even more consequential political impact. More than a mere “circumstantial sequence of changes”, as even a controversial former Facebook executive, Chamath Palihapitiya, once put it: it really seemed like “the social fabric of our societies [was being] ripped apart by social media”.
Among others, these social networks allowed massive data accumulation and correlate directly with the emergence, more recently, of so-called “Artificial Intelligence” systems (particularly LLMs), which are built on top of datasets largely originating from these new digital modes of communication. Even though that correlation is well established –and privacy concerns and regulation become more commonplace– a clear understanding has not yet been widely accepted on how much of (or even whether) the increasing political polarization throughout the world is indeed catalyzed by profit-driven suggestion algorithms, which fundamentally work on the same basic principles as these AIs. One of the hypotheses guiding the project is that these AIs are increasingly generated from user data created within specific ideological socialization processes and are, therefore, doomed to the same shortcomings that afflict them.
This process marks a tipping point in the relationship between bodies and their representations. The digital image no longer simply depicts the subject; it increasingly anticipates, categorizes, and shapes it. The self becomes a dataset, identity becomes software, and consciousness is imagined as a simulation that can be modeled independently of the body. At this threshold, the distinction between representation and existence begins to collapse. The body appears simultaneously more exposed and less present: endlessly visible as an image, yet erased as a material, vulnerable, and political entity.
The ghostly figures in the project inhabit this unstable moment. They can be read as dystopian images of subjects who have disappeared into the systems built from their own representations. The ropes evoke restriction, dependence, and algorithmic capture, while their phones sustain the compulsion to generate another image of the self. Each figure appears trapped in a feedback loop: producing the data through which it will later be interpreted, governed, and replaced.
At the same time, these empty structures leave open another possibility. Absence is not only evidence of disappearance; it can also create space for a body that has not yet been defined. The erased subject refuses complete identification. It cannot be categorized by gender, race, age, or conventional markers of identity. What initially appears as loss may therefore also become an opening: a speculative body beyond imposed classifications, or a temporary withdrawal from systems that demand constant visibility and legibility.
“Attempt to Capture Narcissistic Ghosts” asks whether the current technological turning point is leading to the deep extraction and control of bodies, and whether the turbulence it generates might allow us to rethink the relationship between embodiment, identity, and collective life. How can digital technologies cease to function primarily as instruments for capturing attention, colonization, categorization of subjects, and the concentration of power?
“Tentativa de Capturar Fantasmas Narcisistas” é um projeto multimídia em andamento que explora a relação entre identidade, tecnologia e corpo por meio da fotografia e vídeo. A série apresenta estruturas criadas com técnicas de “shibari”, nas quais corpos amarrados são apagados digitalmente, restando apenas as cordas que delineiam seus contornos. As figuras seguram celulares ou os incorporam ao sistema de cordas, posando como se estivessem tirando “selfies”. Essas obras retratam corpos definidos pela restrição e pela ausência: imobilizados, exilados de sua identidade e reduzidos a estruturas vazias, sugerindo um autorretrato frustrado de um sujeito invisível. O resultado é um conjunto de retratos espectrais, seres forçados a um confronto contínuo com seu próprio vazio.
O surgimento das redes sociais, há cerca de duas décadas, inaugurou mudanças culturais e sociais significativas e, como fica cada vez mais claro, teve, possivelmente, um impacto político ainda mais profundo. Tratou-se de algo mais do que uma mera “sequência circunstancial de mudanças” — como chegou a afirmar Chamath Palihapitiya, um controverso ex-executivo do Facebook: parecia, de fato, que “o tecido social de nossas sociedades [estava sendo] despedaçado pelas redes sociais”.
Entre outros aspectos, essas redes sociais permitiram o acúmulo massivo de dados e estão diretamente ligadas ao surgimento, mais recente, dos chamados sistemas de “Inteligência Artificial” (particularmente os LLMs), construídos a partir de conjuntos de dados originados dessas novas formas de comunicação digital. Embora essa correlação esteja bem estabelecida, e as preocupações com privacidade e regulamentação se tornem cada vez mais comuns, ainda não há um consenso claro sobre em que medida (ou mesmo se) a crescente polarização política em todo o mundo é, de fato, catalisada por algoritmos de recomendação orientados pelo lucro, os quais operam, fundamentalmente, com base nos mesmos princípios dessas IAs. Uma das hipóteses que norteia o projeto é que essas IAs são geradas, cada vez mais, a partir de dados de usuários criados dentro de processos específicos de socialização ideológica e estão, portanto, fadadas às mesmas falhas que afligem tais processos.
Esse processo marca um ponto de virada na relação entre os corpos e suas representações. A imagem digital não se limita a retratar o sujeito; ela passa, cada vez mais, a antecipá-lo, categorizá-lo e moldá-lo. O “eu” transforma-se em um conjunto de dados, a identidade torna-se “software” e a consciência passa a ser imaginada como uma simulação passível de ser moldada independentemente do corpo. Nesse limiar, a distinção entre representação e existência começa a colapsar. O corpo apresenta-se, simultaneamente, mais exposto e menos presente: infinitamente visível enquanto imagem, porém apagado enquanto entidade material, vulnerável e política. As figuras fantasmagóricas do projeto habitam esse momento instável. Elas podem ser lidas como imagens distópicas de sujeitos que desapareceram nos sistemas construídos a partir de suas próprias representações. As cordas evocam restrição, dependência e captura algorítmica, enquanto seus telefones sustentam a compulsão de gerar mais uma imagem de si. Cada figura parece presa em um ciclo de retroalimentação: produzindo os dados pelos quais será, mais tarde, interpretada, governada e substituída.
Ao mesmo tempo, essas estruturas vazias deixam aberta outra possibilidade. A ausência não é apenas evidência de desaparecimento; ela também pode criar espaço para um corpo ainda não definido. O sujeito apagado recusa a identificação completa. Ele não pode ser categorizado por gênero, raça, idade ou marcadores convencionais de identidade. O que inicialmente parece perda pode tornar-se também uma abertura: um corpo especulativo além de classificações impostas, ou um afastamento temporário de sistemas que exigem visibilidade e legibilidade constantes.
“Tentativa de Capturar Fantasmas Narcisistas” questiona se o atual ponto de virada tecnológica conduz a uma extração e a um controle profundo dos corpos, e se a turbulência que ela gera pode nos permitir repensar a relação entre corporificação, identidade e vida coletiva. Como as tecnologias digitais podem deixar de funcionar primordialmente como instrumentos de captura de atenção, colonização, categorização de sujeitos e concentração de poder?























